quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Paulo Freire

 Despedida do Programa Paulo Freire



Alô, alô minha gente,

Alô, quem está por perto,

Alô também professores,

Que ensinam com afeto,

Este cordel é o relato,

De um verdadeiro retrato,

De quem foi analfabeto!


   Nasci em Amaraji,

   Aqui na Zona Rural,

   Nunca fui numa escola,

   E isso sempre me fez mal,

   Eu nem fazia meu nome,

   Isso doía esse homem,

   Em assinar com a digital!


Me sentia envergonhado,

Mas não deixei de sonhar,

E dizia antes de morrer,

Vou pra escola estudar,

Alguém zombava de mim,

E dizia: Sonhe assim,

Um dia você chega lá!



   E os anos foram passando,

   Comecei a envelhecer,

   Com o meu sonho dourado,

   De aprender lê e escrever,

   Eu disse: Deus, me ajude!

   Eu saí da juventude,

   Mas não desisto de vê!


Ver eu sentado num canto,

Com cadernos e canetas,

Sentir meu punho trabalhando,

Dessa vez fazendo letras,

E eu dizendo o nome delas,

Feliz olhando pra elas,

E dizendo: Ficaram bem feitas!


   Foi quando num belo dia,

   Eu estava em minha casa,

   Alguém chamou lá na porta,

   Era a professora Marta,

   Ela disse: Vamos estudar?

   Eu disse não posso pagar,

   Ela falou: é de graça!


Ai eu fiquei nervoso,

E quase não acreditei,

Ela disse: Vai ou não?

Daí eu disse: Irei,

Mas que negócio é esse?

Ela disse é o Paulo Freire,

Lhe dando voz e vez!


   Ela pegou meus documentos,

   Anotou e foi embora,

   Então eu fiquei pensando,

   Onde será a escola?

   E já fui me preparando,

   Os dias fui contando,

   Até que chegou a hora!


No dia 6 de dezembro,

Provável uma quarta feira,

Sentei pela primeira vez,

Naquela humilde cadeira,

Era 2017,

E eu um caba da peste,

Um aluno de primeira!


   Olhei para aquelas letras,

   Que a professora levou,

   Eu não sabia de uma,

   Mas ela me ensinou,

   Me ensinou com afeto,

   E agora do alfabeto,

   Eu já sou quase doutor!


Eu fui juntando as letras,

Do jeitinho que agente fala,

Daí saíram palavras,

Tais como bola e bala,

Aí fui escrevendo,

Daí a pouco fui lendo,

E agora ninguém me para!


   Aprendi fazer meu nome,

   Lindo como é,

   Já vou trocar meus documentos,

   E vou assinar com fé,

   Tô feliz que é uma beleza,

   E tenho toda certeza,

   Que meu sonho está de pé!


Agora é com você,

Professora Marta Lima,

Faça suas homenagens,

A quem merece estima,

E fale a quem perguntar,

Seu aluno onde está?

Em casa fazendo rimas.


   Obrigada meu educando,

   Só tenho que agradecer,

   A Deus pela sabedoria,

   Que Ele tem dado a você,

   E ao Programa Paulo Freires,

   Que desenvolve os saberes,

   Dos que querem aprender!


Foi uma ótima experiência,

Trabalhar alfabetizando,

Vendo as mentes se abrindo,

Qual flores desabrochando,

Vendo a leitura fluindo,

E vê -los alegres sorrindo,

Com sonhos realizados!


   Recebendo o apoio,

   Que é sempre fundamental,

   Da coordenação,

   Da GRE Regional,

   E a Edilene Nascimento,

   Vai os agradecimentos, 

   De todos em geral!


A coordenação local,

Maria da Conceição,

Vânia Moura que dedicou-se,

Com a maior perfeição,

No sítio e na cidade,

Mesmo com dificuldades,

Sempre nos deu a mão!


As alfabetizadoras,

Da turma de Amaraji,

Suzigleide, Lúcia e Zenilda,

Marta que estais a ouvir,

Maria de Jesus e Rosângela,

E também a Elisângela,

Que estão todas por aqui!



   Ainda temos Patricia,

   Tia Maura e Dora ,

   Maria Veronica, Ivaldete,

   Leila Lima professora,

   Que lá em Amaraji,

   Ensinaram sem desistir,

   Grandes alfabetizadoras!


Aqui termino estes versos,

Com o peito aliviado,

De saber que muitos sonhos,

Foram realizados,

Com papel simples e canetas,

Um jogo com 26 letras,

E alunos dedicados!


   Me despeço de vocês,

   Agradecendo a atenção,

   Deixando registrada,

   A minha satisfação,

   De ter alfabetizado,

   Agricultores e aposentados,

   Fazendo jus a educação!

   



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