Despedida do Programa Paulo Freire
Alô, alô minha gente,
Alô, quem está por perto,
Alô também professores,
Que ensinam com afeto,
Este cordel é o relato,
De um verdadeiro retrato,
De quem foi analfabeto!
Nasci em Amaraji,
Aqui na Zona Rural,
Nunca fui numa escola,
E isso sempre me fez mal,
Eu nem fazia meu nome,
Isso doía esse homem,
Em assinar com a digital!
Me sentia envergonhado,
Mas não deixei de sonhar,
E dizia antes de morrer,
Vou pra escola estudar,
Alguém zombava de mim,
E dizia: Sonhe assim,
Um dia você chega lá!
E os anos foram passando,
Comecei a envelhecer,
Com o meu sonho dourado,
De aprender lê e escrever,
Eu disse: Deus, me ajude!
Eu saí da juventude,
Mas não desisto de vê!
Ver eu sentado num canto,
Com cadernos e canetas,
Sentir meu punho trabalhando,
Dessa vez fazendo letras,
E eu dizendo o nome delas,
Feliz olhando pra elas,
E dizendo: Ficaram bem feitas!
Foi quando num belo dia,
Eu estava em minha casa,
Alguém chamou lá na porta,
Era a professora Marta,
Ela disse: Vamos estudar?
Eu disse não posso pagar,
Ela falou: é de graça!
Ai eu fiquei nervoso,
E quase não acreditei,
Ela disse: Vai ou não?
Daí eu disse: Irei,
Mas que negócio é esse?
Ela disse é o Paulo Freire,
Lhe dando voz e vez!
Ela pegou meus documentos,
Anotou e foi embora,
Então eu fiquei pensando,
Onde será a escola?
E já fui me preparando,
Os dias fui contando,
Até que chegou a hora!
No dia 6 de dezembro,
Provável uma quarta feira,
Sentei pela primeira vez,
Naquela humilde cadeira,
Era 2017,
E eu um caba da peste,
Um aluno de primeira!
Olhei para aquelas letras,
Que a professora levou,
Eu não sabia de uma,
Mas ela me ensinou,
Me ensinou com afeto,
E agora do alfabeto,
Eu já sou quase doutor!
Eu fui juntando as letras,
Do jeitinho que agente fala,
Daí saíram palavras,
Tais como bola e bala,
Aí fui escrevendo,
Daí a pouco fui lendo,
E agora ninguém me para!
Aprendi fazer meu nome,
Lindo como é,
Já vou trocar meus documentos,
E vou assinar com fé,
Tô feliz que é uma beleza,
E tenho toda certeza,
Que meu sonho está de pé!
Agora é com você,
Professora Marta Lima,
Faça suas homenagens,
A quem merece estima,
E fale a quem perguntar,
Seu aluno onde está?
Em casa fazendo rimas.
Obrigada meu educando,
Só tenho que agradecer,
A Deus pela sabedoria,
Que Ele tem dado a você,
E ao Programa Paulo Freires,
Que desenvolve os saberes,
Dos que querem aprender!
Foi uma ótima experiência,
Trabalhar alfabetizando,
Vendo as mentes se abrindo,
Qual flores desabrochando,
Vendo a leitura fluindo,
E vê -los alegres sorrindo,
Com sonhos realizados!
Recebendo o apoio,
Que é sempre fundamental,
Da coordenação,
Da GRE Regional,
E a Edilene Nascimento,
Vai os agradecimentos,
De todos em geral!
A coordenação local,
Maria da Conceição,
Vânia Moura que dedicou-se,
Com a maior perfeição,
No sítio e na cidade,
Mesmo com dificuldades,
Sempre nos deu a mão!
As alfabetizadoras,
Da turma de Amaraji,
Suzigleide, Lúcia e Zenilda,
Marta que estais a ouvir,
Maria de Jesus e Rosângela,
E também a Elisângela,
Que estão todas por aqui!
Ainda temos Patricia,
Tia Maura e Dora ,
Maria Veronica, Ivaldete,
Leila Lima professora,
Que lá em Amaraji,
Ensinaram sem desistir,
Grandes alfabetizadoras!
Aqui termino estes versos,
Com o peito aliviado,
De saber que muitos sonhos,
Foram realizados,
Com papel simples e canetas,
Um jogo com 26 letras,
E alunos dedicados!
Me despeço de vocês,
Agradecendo a atenção,
Deixando registrada,
A minha satisfação,
De ter alfabetizado,
Agricultores e aposentados,
Fazendo jus a educação!
Nenhum comentário:
Postar um comentário